Assistimos nos últimos meses episódios de retrocesso político e social em toda a América Latina e Caribe – o espírito do conservadorismo se mostra cada vez mais forte com suas agendas disputando e ganhando espaço em eleições, disseminando o ódio na sociedade e mudando os bons rumos que a política internacional parecia tomar nos últimos anos. As parcelas mais pobres da sociedade são cada vez mais marginalizadas e vítimas da violência recorrente, as desigualdades se alastram a cada dia mais. O debate sobre acesso a água também está presente aqui, uma vez que a privatização da água afeta sempre os mais pobres e marginalizados, vítimas das tantas desigualdades da região – e foi justamente esse o ponto abordado pelo Seminário Internacional Ecumênico organizado pela Christian Aid no dia 17.

O seminário reuniu diversas organizações ecumênicas internacionais para discutir a água como bem comum no cenário latino-americano e caribenho, a partir de suas próprias perspetivas. Foram três painéis que tangiam temas como as reflexões e perspectivas teológicas e ecumênicas sobre o uso da água como bem comum e as experiências dos movimentos sociais na luta pelo acesso justo a água.
Foi um espaço para intercâmbio de experiências e práticas, além da demonstração da força popular – ouvimos histórias das comunidades indígenas na Brasil e na Bolívia, da luta articulada da Marcha Mundial das Mulheres, as consequências da mineração para a alteração climática e como tudo isso se vincula a questão do acesso à água. Não seria possível resumir em um facilmente todos os assuntos abordados no dia, mas todos eles se resumem num único e importante ponto: o povo provocando alterações nesse sistema de desigualdade que estamos submetidos.

O que ouvimos no seminário internacional foram as vozes de luta de todas as pessoas que lutam contra os interesses do capital todos os dias, lutam contra os interesses daqueles que sentem-se no direito de privar pessoas de um direito fundamental, como o acesso a água limpa.É ainda mais importante notarmos que essa luta não é apenas local e o fim desse sistema de desigualdade não se dá por uma luta individual, mas sim por a luta coletiva, por todos aqueles marginalizados em diversos lugares.
O Seminário Internacional Ecumênico veio como diferente forma de luta: através de nossas experiências compartilhadas, criamos vínculos. E vemos que estamos conectados em nossas reivindicações por toda a América Latina e Caribe. Portanto, a partir deste seminário, posam a nossa frente novas perspectivas para desenvolvimento de Ações conjuntas e alianças no mundo ecumênico e fora dele. Se os governos aliado das grandes corporações pretendem criar barreiras e muros, a comunidade ecumenica internacional e os outros grupos da sociedade civil estão prontos para lutar contra. A nossa frente, encontramos os desafios de uma melhor articulação conjunta, mas temos a consciência de que unidos seremos mais fortes.


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