Atividade de atingidos por barragens destaca conflitos internacionais envolvendo a água

Atividade de atingidos por barragens destaca conflitos internacionais envolvendo a água

A atividade autogestionada coordenada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) trouxe o debate sobre os conflitos e resistência contra a privatização da água.

Andreia Neiva, militante do MAB e ribeirinha do Rio Corrente (BA) falou do levante popular de Correntina para recuperar a água roubada pelo agronegócio. Paloma Gomes, do Comitê Brasileiro de Defesa dos Direitos Humanos, trouxe o debate sobre a criminalização e a perseguição contra as lideranças nesse caso. “Existe um modus operandi do grande capital para reprimir as lutas sociais”, denunciou.

Thiago Alves, militante do MAB e morador de Barra Longa (MG), município que teve sua sede destruída pela lama da Samarco (Vale-BHP Billiton) trouxe a experiência de luta dos atingidos da bacia do Rio Doce, que estão sendo contaminados pela lama.

A mesa também contou com relatos de experiências internacionais.

Jesse, do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH), afirmou que, após o golpe em seu país, o governo aprofundou a privatização dos bens naturais e aumentou a militarização e a repressão contra os povos indígenas. Sua organização tem sofrido muita perseguição por defender as comunidades contra os grandes projetos, como o caso trágico do assassinato de Berta Cáceres e de muitas outras lideranças. “Desde 2009 foram mais de 123 assassinatos devido à defesa da água e dos territórios”, afirmou.

Daniel Ilário, da Grassroots, dos EUA, falou sobre a experiência de resistência contra os projetos de extração de petróleo e gás que envenenam as águas na costa oeste do país. “Para nós esta é uma questão local e global, pois as corporações do petróleo sequestraram nosso governos para benefício de poucos em detrimento do sistema sagrado da vida”.

Pedro Arrojo, deputado do Unidos Podemos e professor de economia da universidade de Saragoça (Espanha), destacou a necessidade da unidade dos movimentos e da luta para enfrentar essa temática.

“A estratégia central do capital é a privatização da água e a sua transformação em mercadoria. Para os povos do mundo, é uma questão de soberania e de sobrevivência defender a água como bem comum, mas para isso é necessário tanto fazer a denúncia em todos os espaços quanto o enfrentamento”, afirmou Moisés Borges, militante do MAB responsável pela coordenação do espaço.

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