Servidores públicos apontam unidade entre setores dos trabalhadores para defesa da água

Servidores públicos apontam unidade entre setores dos trabalhadores para defesa da água

Fonte: Ednubia Ghisi, Senge-PR

A tarde deste sábado (17) foi repleta de atividades autogestionadas. Foram 180 atividades espalhadas pelo Campus da UnB. Como fortalecer as políticas ambientais para garantir a água como bem comum? Esta pergunta orientou o seminário autogestionado organizado pela Associação Nacional dos servidores Federais do meio Ambiente (Ascema), a Asibama-DF, Assemma, e outras associações estaduais vinculadas à entidade nacional. O debate teve como ênfase o papel dos servidores da área ambiental em defesa da água como bem comum.

Foram apresentadas as situações de conflito entre a defesa do meio ambiente e da água na Serra da Gandarela, em Minas Gerais, e da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. As palestras foram realizadas por Paulo Rodrigo e Maria Tereza Corujo, integrantes do Movimento de Preservação da Serra da Gandarela, e por Breno Herrera, servidor do Instituto Chico Mendes (ICMBIO).

Nas duas situações, interesses econômicos de exploração de recursos naturais pressionam ameaçam a preservação ambiental. No caso do Rio de Janeiro, Herrera apresentou descreveu a queda de braço entre setores pró e contra o avanço da exploração e degradação da região da Baía de Guanabara pela indústria petroleira.

Na queda de braço que envolvia a estatal Petrobras, empresas privadas nacional e transnacionais, governos, pescadores artesanais, trabalhadores e ambientalistas, a divisão ficou bem definida, conforme avalia Herrera: “É uma divisão de classes sociais. Trabalhadores de modo geral eram contrários. Gestores, empresas, direção da estatal, a favor. Essa leitura de classe falta muitas vezes para nós ambientalistas.

Na leitura de Herrera, a mobilização das diferentes categorias de trabalhadores é que foram decisivas: “De nada valeria um calhamaço de pareceres técnicos. O movimento popular forte é que mudou a balança”.

Escarpa Devoniana

O engenheiro agrônomo Paulo Roberto Castella, servidor da Secretaria de Meio Ambiente do Paraná e integrante do Comitê do Fama Paraná, apresentou a mobilização contra a redução da Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana. O projeto de lei (nº 527/16) tramita na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) para reduzir em quase 70% APA.

A formação geológica denominada Escarpa atravessa nada menos do que 12 municípios, do Sul ao Norte Pioneiro do estado. “É uma área produtora de água, extremamente importante para o estado”.

Caso aprovado, o projeto abriria caminho para a redução da área preservada de 392 mil para 126 mil hectares, ou seja, cerca de dois terços do total. Fica explícita a influência das forças políticas e econômicas do agronegócio. A exploração mineral, de energia eólica e hidráulica também estão entre os interesses que permeiam a tentativa de extinguir dois terços da Escarpa.

A mobilização contra o PL reúne inúmeros setores do estado conquistou o adiamento da votação do projeto. Para o engenheiro, assim como a experiência do Rio de Janeiro, a mobilização conjunta foi decisiva: “Essas articulações com a sociedade têm que ser muito forte, e a resistência a este projeto é um exemplo disso. Nós temos que nos articular com toda a sociedade”.

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