Correntina: um pavio aceso na Bahia

Correntina: um pavio aceso na Bahia

População de município do oeste baiano se revolta contra destruição das nascentes e dos rios pelo agronegócio

Por Bruno Ferrari/MAB

No dia 2 de novembro de 2017, milhares de trabalhadores se manifestaram em defesa das águas do rio Arrojado, afluente do Rio Corrente, ocupando duas fazendas de propriedade do grupo empresarial de agronegócio irrigado Igarashi (de origem japonesa), no município de Correntina, na região Oeste da Bahia.

Os camponeses denunciaram a destruição do Cerrado para o plantio de monoculturas e a utilização desproporcional de água das duas fazendas – aproximadamente cem vezes maior do que a quantidade consumida pela população do município –, causando o desaparecimento de nascentes e diminuição da vazão dos rios. Após o ato, os manifestantes vêm sofrendo com ameaças e intimações da polícia e do judiciário.

A resposta veio uma semana depois, quando mais de 12 mil pessoas, que representa mais de um terço da população local (de acordo com o último Censo do IBGE de 2010, Correntina contém 31.249 habitantes), saíram às ruas contra a criminalização da luta na região e em defesa das águas. Diversas faixas e cartazes com dizeres contra a violência, em defesa do cerrado, da água e da vida eram facilmente vistos na manifestação.

Por outro lado, a empresa Igarashi se defendeu das acusações dizendo que está em dia com a documentação de exploração dos rios. “Todas as atividades desenvolvidas possuem as autorizações ambientais, que por sua vez percorreram toda tramitação perante os órgãos ambientais competentes”, afirma o grupo empresarial, por meio de uma nota lançada após os atos.

Esse processo de “licença de exploração” é justamente o ponto questionado por movimentos e organizações à frente da luta em Correntina. Atualmente, a pauta é focada na revisão ou suspensão das outorgas para o agronegócio, que funcionam como uma “autorização” de exploração dos rios, como explica Temóteo Gomes, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

As outorgas que foram dadas a grandes grupos multinacionais, garantindo a livre exploração dos rios, devem sofrer uma revisão imediata. Muitas delas estão em situação irregular, outras tantas foram adquiridas por processos fraudulentos. Se não revisarmos e suspendermos esses processos imediatamente, não só os rios do oeste baiano estão em risco, mas os rios de todo o Brasil”, aponta Temóteo.

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